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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Furão


Os Furões são animais carnívoros pertencentes à família dos Mustelídeos (Mustela putorius furo), considerado uma subespécie do Toirão (Mustela putorius), parente selvagem do furão e existente em todo o território continental. Devido ao fato de pertencer a uma espécie (Mustela putorius) parcialmente protegida, sujeita a regulamentação especial (Anexo III da convenção de Berna), a sua posse é proibida e sujeita a pena de prisão de 6 meses ou multa até 100 dias. Em Portugal apenas é permitida a sua posse por entidades gestoras de zonas de caça, pois são usados em acções de ordenamento de populações de coelho-bravo. Apesar disso já são bastante vulgares em Portugal pois podem ser importados de outros países com certificados de entrada e onde a sua posse como animal de companhia está autorizada. Nalguns países é já o terceiro animal de companhia a seguir ao Cão e ao Gato.

            Existe alguma controvérsia quanto à sua origem pois não se tem a certeza se o animal teve origem no Toirão ou no Toirão-das-estepes (Mustela eversmanni), existindo mesmo quem considere o Furão e o Toirão espécies diferentes. O cruzamento entre ambos é possível originando híbridos indistinguíveis a partir das suas características externas. Existem vários relatos históricos que garantem a sua domesticação antes do Gato.
            Os Furões são óptimos animais de estimação, inteligentes e limpos. Os machos têm um peso que varia de 1 a 2 kg, as fêmeas são menores e pesam de 600g a 950 g. Têm um tempo médio de vida de 10 a 13 anos. Possuem grande quantidade de glândulas sebáceas espalhadas pelo corpo todo e têm um odor característico, bastante intenso, por mais que se limpe ou se dê banho.
            Os Furões podem ter cores variadas: desde todos brancos até todos pretos. Gostam de viver em companhia com os da sua espécie. Cada Primavera a fêmea entra em cio e obrigatoriamente deve cruzar com o macho a fim de se evitar disfunções hormonais que provocam a sua morte. Outra solução passa por esterilizar a fêmea e evitando também, ninhadas de 12 crias.
            Os furões podem viver em gaiolas e podem ser treinados para ter liberdade em andar pela casa ou pela rua com coleiras próprias. Dormem cerca de 16 a 18 horas por dia mas devem ter uma actividade de 4 horas diárias fora da jaula.
            Quanto à alimentação, os Furões são carnívoros, devendo ser alimentados com rações completas apropriadas.
            Devem ser vacinados anualmente contra a raiva e esgana.
            Com a domesticação, o Furão perdeu grande parte das suas capacidades de defesa e de procurar comida. O Furão doméstico, se solto por sua conta e risco, dificilmente conseguirá sobreviver, por isso nunca o abandone!

"Há uma grande diferença entre a Medicina Humana que trata apenas de uma única espécie e a Medicina Veterinária que trata inúmeras espécies. Alguma vez pensou em dar um medicamento de uso veterinário ao seu filho? Então também não dê medicamentos de uso humano ao seu animal sem prescrição Médico-Veterinária."



* Director Clínico do Centro Médico-Veterinário VilelaVet
francisco.vilela@vilelavet.pt

domingo, 21 de novembro de 2010

Piómetra


A Piómetra é uma infecção da parede do útero que ocorre devido a certas modificações hormonais. Após o “cio” (estro), os níveis de uma das hormonas (progesterona) permanecem elevados durante 8 a 10 semanas, provocando um espessamento da parede do útero como preparação para a gravidez e, se esta não ocorrer após vários ciclos, a espessura da parede continua a aumentar até que se formam quistos no seu interior. A parede quística espessada produz fluidos que criam o ambiente ideal para o crescimento de bactérias. Por outro lado, os níveis elevados de progesterona inibem a capacidade de contracção dos músculos da parede do útero, conduzindo à acumulação nociva destes fluidos.
A utilização de medicamentos à base de progesterona, usados para inibir o “cio” podem provocar o mesmo problema.
A piómetra pode ocorrer em cadelas de qualquer idade após o primeiro cio, no entanto, é mais comum em cadelas mais velhas, cerca de 1 a 2 meses após o estro.
            A entrada do útero (cérvix) está quase sempre fechada, abrindo no estro. Quando está aberto, as bactérias que se encontram normalmente presentes na vagina podem entrar no útero muito facilmente e, se as condições ideais para o crescimento bacteriano existirem, provocam infecção.
            Os sinais clínicos variam consoante o cérvix se encontre fechado ou aberto. Se estiver aberto, pus acumulado no útero drenará para o exterior, notando-se um corrimento de aparência variável na vagina, na pele e no pêlo sob a cauda e até nos locais onde a cadela se tenha sentado ou deitado. Pode ainda notar-se febre, letargia, anorexia e depressão. Se o cérvix estiver fechado, o pus que se forma não é drenado para o exterior. Acumula-se no útero, causando distensão abdominal. As bactérias libertam toxinas que são absorvidas para a circulação. Nestes casos, as cadelas normalmente ficam gravemente doentes em pouco tempo. Perdem o apetite e ficam apáticas e deprimidas. Podem ocorrer vómitos e diarreia. As toxinas bacterianas afectam a capacidade renal de filtrar e reter os fluidos. A produção de urina aumenta e as cadelas bebem água em excesso para compensar as perdas renais. Isto pode ocorrer tanto nas piómetras abertas como nas fechadas.
O diagnóstico deve ser feito pela história clínica e exames complementares, nomadamente ecografia.
O tratamento de eleição consiste na remoção cirúrgica do útero e dos ovários. Este procedimento chama-se ovario-histerectomia (esterilização). No entanto, a maioria dos pacientes está gravemente doente e a cirurgia não é tão rotineira como numa cadela saudável. Geralmente, é necessário estabilizar o paciente através da administração de fluidoterapia intravenosa antes e após a cirurgia. Adicionalmente, é realizada antibioterapia durante 1 a 2 semanas.
Se o tratamento adequado não for realizado rapidamente, os efeitos tóxicos bacterianos serão fatais. Se o cérvix estiver fechado é possível ocorrer a ruptura do útero, disseminando-se a infecção à cavidade abdominal e estabelecendo-se uma peritonite.


O Médico Veterinário é o profissional mais habilitado para esclarecer todas as suas dúvidas e aconselhar quais os produtos mais adequados aos seus animais.


* Director Clínico do Centro Médico-Veterinário VilelaVet
francisco.vilela@vilelavet.pt

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Cuidados a ter com o seu animal no Inverno

Quando o Inverno chega e as temperaturas começam a baixar há cuidados especiais que se devem ter com os animais de estimação para que eles se mantenham saudáveis. O pêlo que alguns animais possuem pode ser suficiente para os proteger do frio mas há mais perigos a ter em conta.

- Hipotermia: se estiverem temperaturas negativas ou mau tempo (chuva por ex.) os animais não devem ser deixados na rua ou fechados dentro de carros durante muito tempo, principalmente os jovens e idosos que são mais susceptíveis ao frio. Se o animal não puder ou não quiser entrar em casa deve-lhe ser dado um local onde se possa abrigar (casota, garagem, arrecadação) para evitar que ele fique doente ou que procure abrigos perigosos. Caso opte por uma casota, esta não deve ser demasiado grande para o animal, deve ser isoladas do vento e da chuva e deve ter a porta abrigada do vento. Dentro da casota ou da garagem deve ser posta uma cama, um cobertor seco, palha ou um estrado onde dormir para que não esteja em contacto com o frio e a humidade do chão. Em cães de pêlo curto pode ser necessário vestir roupa apropriada para os proteger do frio quando saem à rua.

- Problemas articulares: ocorrem sobretudo em animais idosos e devem ser vigiados pois muitas vezes agravam-se com o frio. Se esse for o caso do seu cão/gato deve consultar o médico veterinário para que este lhe indique quais as medidas a tomar.

- Banhos: se der banho ao seu cão/gato seque-o muito bem de seguida e não o deixe sair à rua se não tiver a certeza de que ele está completamente seco.

- Bebedouro: em dias mais frios deve ser verificado várias vezes por dia para se certificar que a água não gelou impedido o seu animal de beber.

- Anti-congelante para automóveis: é um produto químico muito tóxico para os animais de estimação mas que eles lambem por ser doce. Quando o colocar no seu automóvel deve fazê-lo em locais em que o animal não tenha acesso ou limpar bem os locais onde possa ter sido entornado. Quando passear o cão deve ter cuidado de não o deixar lamber poças de água na rua nem as patas pois podem conter este químico. Os sintomas em caso de ingestão são vómitos e andar cambaleante.

- Carros: nos dias frios deve-se ter cuidado pois os gatos muitas vezes procuram abrigo dentro do motor o que pode tornar-se fatal. Para evitar que isso aconteça é aconselhável bater no capot ou buzinar antes de arrancar para os tentar assustar.


Adaptado de outros blogs

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Parvovirose Canina

Esta doença tem como causa um vírus, o Parvovirus e uma estreita relação com o vírus da panleucopénia felina. A parvovirose surgiu em Portugal por volta dos anos 80. Atinge também outros canídeos (lobo e raposa) mas, não infecta o Homem ou os gatos.
            A contaminação é normalmente por via oral e a transmissão é feita a partir da urina, saliva e principalmente através de fezes de animais infectados. Nas fezes, a eliminação do vírus atinge o pico máximo por volta do 5.º dia sendo suficiente 1 grama de fezes para infectar 5 mil cães.
            O vírus ao entrar no organismo multiplica-se e entra em situação de virémia entre o 3.º e o 5.º dia e dá-se, então, uma disseminação generalizada do vírus e a sua eliminação nas fezes. Este vírus apresenta apetência para se multiplicar no núcleo de células em divisão activa. É por esse facto que, consoante a idade do animal, podem aparecer duas formas diferentes da doença.
            Nos primeiros dias até às quatro semanas de vida , são as células do músculo cardíaco que, encontrando-se em divisão activa, são afectados e se desenvolve a forma cardíaca. Esta forma é rara pois apenas atinge cachorros provenientes de mães não vacinadas. Os principais sintomas são a dificuldade em respirar, edema pulmonar, cianose, pulso fraco e irregular e ritmo cardíaco aumentado e morte rápida.
            A partir das quatro semanas, são as células do epitélio intestinal que são afectadas desenvolvendo-se, então, a forma entérica, caracterizada mais frequentemente por uma gastroenterite hemorrágica. O primeiro sintoma manifesta-se por depressão generalizada e depois surge o vómito e a diarreia, sendo aguda e sanguinolenta. O animal apresenta desidratação, abdómen dilatado e inicialmente hipertermia que evolui para hipotermia por perca de sangue e anemia.
            A mortalidade e morbilidade são bastante elevadas nos cachorros ou cães sem anticorpos, os quais são muito sensíveis à doença. Os cães adultos são quase todos portadores de anticorpos e nestes os casos clínicos são excepcionais.
            A profilaxia sanitária não é muito importante uma vez que não existe nenhuma medida sanitária eficaz, devido à grande resistência do vírus, à sua difusibilidade e as enormes quantidades eliminadas nas fezes. No entanto, o uso de desinfectantes como o formaldeído a 4% e a lixívia a 1:30, podem diminuir a sua incidência.
            A profilaxia médica activa é a mais importante! As vacinas vivas homólogas protegem o animal quatro dias após a sua administração. A eficácia de protecção pode atingir 99%.
            O cachorro deve portanto ser vacinado pela primeira vez entre as 4 e 6 semanas, fazer o reforço passado 3 a 4 semanas e estar em período vacinal até aos quatro meses e meio.
A revacinação anual reveste-se de extrema importância.


O Médico Veterinário é o profissional mais habilitado para esclarecer todas as suas dúvidas e aconselhar quais os produtos mais adequados aos seus animais.

Publicado no semanário A Voz de Trás-os-Montes
* Director Clínico do Centro Médico-Veterinário VilelaVet
francisco.vilela@vilelavet.pt

terça-feira, 26 de outubro de 2010

CASTRAÇÃO OU ESTERILIZAÇÃO

Pergunta: “Das duas vezes que fui ao veterinário foi falado da esterilização e não de castração. Eu queria saber a diferença das duas intervenções. É que segundo o que li, a esterilização faz com que as gatas tenham cio mais vezes. Tendo em conta que a minha gata esta em apartamento não seria melhor a castração? E que diferença de preço há entre as duas intervenções? …”
 
Resposta: Na prática veterinária usa-se os termos esterilização para as fêmeas e castração para os machos. No dicionário estão as seguintes definições:

Esterilização é a retirada total de condições de reprodução da vida, seja a que nível for. Assim, o processo de esterilização compreende aquela realizada em materiais cirúrgicos que serão utilizados em seres humanos pelo médico ou em animais pelo veterinário, como compreende também os métodos cirúrgicos realizados para evitar a gravidez.

Castração é um acto que incapacita-se o indivíduo de reproduzir-se sexualmente, e suprime seu aporte de hormonas sexuais (testosterona, no macho, e estrogênio, na fêmea). O acto consiste na extirpação das gônadas (gonadectomia): testículos na castração masculina (orquiectomia); ovários na castração feminina.

No caso dos animais domésticos a cirurgia para esterilizar/ castrar fêmeas engloba por rotina (e recomendável) a retirada dos ovários e do útero para evitar possíveis patologias do útero. No caso dos machos a cirurgia restringe-se à retirada dos testículos. Os animais ficam estéreis. Se eventualmente numa fêmea fosse retirado somente o útero e não os ovários, esta cirurgia seria realmente uma esterilização (que evitava a reprodução) mas não uma castração (mantendo os cios do animal).
No nosso Centro Médico Veterinário, na cirurgia de esterilização a fêmeas são sempre retirados ovários e útero, impedindo a procriação e evitando cios indesejados. Evitamos assim possíveis piometras, tumores do útero e mama (quando realizada antes do 1ª cio) e outras patologias associadas ao aparelho reprodutor.
Em termos de preço a questão não se coloca, pois não recomendamos só a castração em fêmeas (retirada somente dos ovários).
Consulte o seu médico veterinário e pergunte-lhe em que consiste a cirurgia a que vai ser submetido o seu animal e retire todas as dúvidas.

Adaptado de B&C